Thursday, January 27, 2005

Universo

This poem consists of a downward spiral progressively formed by the letters of the title, which superimpose themselves as the poems unfolds, thus generating words and fragments of words - meaning - in a way which could not be apprehended through linear reading.

The opening screen...it's up to (an) U:


Onward to "uni", which reminds us of the linear illusion of writing:



But the way things unfold (or spiral), I's are not so unique, and comes "V E R", which is the portuguese of "to see", and a lot of "E U", which translates into...I :



Finally, the whole spiral descends, the image of an universe which consists of superimposed elements, letters growing to mimetize particles, plus the allusion that particles don't bear:



An universe which is not a plain line, nor a description. Poetic suggestion.

Saturday, January 22, 2005

Rejoyce

“Rejoyce” é um poema que começa no título, uma homenagem a James Joyce, grande criador de linguagem. Em português, “Rejoyce” seria "rejubilar-se". Também se pode ler o título em inglês como “re: Joyce”, o que significa “sobre Joyce”, ou, ainda, arrastando o título de volta para o português, como re-Joyce, ou Joyce de novo.

A tela de abertura:




O poema mimetiza um rio, pelo fluxo sinuoso e repetido de letras e outros caracteres gráficos, tela acima. As letras, à direita, vão formando a palavra “riverrun”, que inaugura o “Finnegans’ Wake” de Joyce, sendo ao mesmo tempo abertura e fecho daquela narrativa zootrópica e proto-mitológica, símbolo daquilo que flui e o exemplo mais conhecido de palavra “portmanteau”, ou valise. Palavralise. O encadeamento das letras, de baixo para cima, que permite a leitura de “riverrun”, tem uma sinuosidade imperfeita, com as letras finais “u” e “n” escapando à direita e mimetizando as cristas das ondas dos rios sobre as pedras do leito, repicando e respingando, o que dá início a algumas outras leituras do fluxo vertical, como “river ruin” e, olhando-se mais detidamente o canto inferior direito da tela, o curioso vocábulo “unriver”, possível denominação do curso contrário do rio, paradoxalmente contido no seu próprio caminho rumo ao mar.

Símbolos e letras num fluxo tela acima:



Reproduzindo a conhecida palavra portmanteau com a qual o artista iniciou seu Finnegans Wake, juntamente com um rio feito de seqüências horizontais de símbolos:

À esquerda, seqüências horizontais de símbolos se sucedem, também sinuosamente, dando suporte gráfico à formação da imagem de um rio. São caracteres “X” e “#” dispostos quase que em filamentos cromossomiais, os primeiros simbolizando o feminino e os últimos, o masculino, diagonais e perpendiculares lado a lado, mulher e homem, o par primordial. A mais de serem um “desenho” do rio e símbolos um tanto arbitrários, os caracteres correspondem ao que se sucede, no Finnegans’ Wake, à palavra “riverrun”, que é “past Adam and Eve´s”, o fluxo que passa do casal primordial e é neste momento captado, a leste do Éden, totalmente humano.

Pois o poema não poderia querer encerrar isso tudo se não fosse Joyce, e nem existiria. E porque existe Joyce, da Irlanda, rejubilemo-nos. E porque é a Irlanda, que o poema seja verde, como a água densa e fria, berço da vida, verde como o trevo de São Patrício; como os rios da terra de Joyce.